Foi inevitável: Uma lágrima, depois outra e mais outra,
consecutivas, doídas, sofridas. E sem perceber, deitei. Naquele quarto escuro,
só eu e a solidão, quem mais haveria de estar ali? Ninguém. Então, eu estava
errada - assim como diversas outras vezes. Por um momento senti um calafrio
conhecido, um arrepio desejado e um sorriso torto se abriu no canto da minha
boca já molhada das lágrimas. Virei-me de lado, balançando-me como se estivesse
me "auto-ninando" para que adormecesse logo e colocasse um ponto naquilo. Foi
nessa hora que senti uma proteção – talvez – já sentida antes. Senti teus
braços me envolverem e tuas pernas se entrelaçarem nas minhas, com o coração
junto e as almas se tornando uma. E fiquei ali, quieta, e adormeci nos teus –
imaginados – braços que me cercavam e me cuidavam durante toda a noite, como um
anjo. Eu juro pra você, Bob, que tentei de todas as formas não te querer, só que não dá.
Uma carta para Bob Evans
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