quarta-feira, 13 de março de 2013

Querida Ana,

Eu não sei como escrever esta carta. Não sei porque nunca fui bom com as palavras como o Bob. Mas não é só esse o porquê de não saber como escrevê-la. Eu não sei porque também os motivos que me levam a escrevê-la são coisas difíceis de encarar e contar. Bob sempre me falou muito de você; fazia questão de acender a lâmpada do fundo dos olhos quando mencionava o seu nome - apesar de saber que Anamorada não é bem um nome. Devo confessar que vislumbrar a luz dos olhos de meu irmão era algo raro, mas toda vez que acontecia você era a única razão. Sinto-me obrigado a responder-te a última carta que enviou. A essa altura, você já deve ter percebido a realidade triste por trás de minhas palavras, Ana. Bob nunca mais vai escrever para ti. Ele sempre foi forte. Buscava manter-se firme, gentil, generoso. Mas ele estava quebrado. Talvez sempre estivesse e nós é que nunca percebemos. Talvez ele tenha tentado esconder, dar um tempo até poder consertar si mesmo. Ana, apesar da finitude melancólica que se impõe, não posso deixar de relatar uma última conversa que tive com meu irmão caçula. Nessa conversa ele contou-me que se sentia pleno, que sabia ter vivido tudo o que poderia viver. Disse a mim que ele havia conhecido o mundo, pisado em novas terras, vislumbrado possibilidades, feito escolhas, amado com sinceridade. Eu fiquei tão feliz por ele nesse momento. Ele então confessou-me que o mundo dele era você, que não há terra como a casa de vocês, que não existe possibilidade se não houver você, que ele sempre te escolheria e que todo o amor que sentiu foi entregue no seu endereço. Podemos até não vê-lo mais, Ana, mas nós o sentiremos sempre que ouvirmos alguém falar "Querida Ana". 

Uma carta para Ana Stuart, em nome e memória de Bob Evans.

(Essa carta foi escrita pelo irmão do Bob Evans e será a última carta a ser publicada no blog.)

Querido Bob,


Que mais posso eu fazer, além de relembrar de todas as nossas histórias e sorrir sozinha neste meu quarto? Suas lembranças me invadem, Bob, será que você ainda sente o que eu sinto? Que treme e se arrepia ao lembrar de tudo que vivemos e se lamenta por ter dado adeus tão facilmente? Ai, Bob, sinto falta do teu carinho, da tua voz rígida e postura as vezes madura, outras não tanto. Pensei seriamente em te chamar de volta, Bob, de verdade, minha casa está de portas abertas, mas principalmente, meu coração está louco por ti, te procurando em todos os cantos. Se eu chamasse você voltaria correndo, Bob? Voltaria com aquela rosa na mão e dizendo que só estava esperando eu tirar minha armadura para você me arrebatar de novo com esse teu sorriso... Então faz isso, Bob, porque minhas tentativas de viver sem você foram falhas.

Uma carta para Bob Evans.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Querida Ana,


Meu coração está aos pulos! Acabei de acordar, sonhei com nós. Descobri que ainda tenho esperanças, Ana, que ainda te desejo e te amo como jamais pensei amar. Quantas vezes essa esperança vai esperar minha falta de coragem? Meu coração está no escuro, palpitando, te chamando mansinho. Você está escutando, querida? Diz que está, diz que não sou só eu que te sinto vez ou outra. Diz que teu coração bate na mesma frequência do meu. Pudera você, Ana, ler todas essas cartas que te escrevo, saber do que ainda sinto. Mas não, sou covarde ao ponto de escondê-las numa caixa e ler, e reler, e ler de novo em dias como esse, em que sua presença se faz necessária. Ah, minha boneca, será que é loucura? Me diz que teu arranha-céu é só pra se defender do meu estrago, me leva Anamorada, me ensina a não andar com os pés no chão, mas voar ao teu encontro.

Uma carta para Ana Stuart

Querido Bob,


As nuvens estão numa disposição um pouco enigmática, o que me faz lembrar de ti. Ultimamente muita coisa tem me lembrado você, Bob. Elas estavam um pouco místicas, verdadeiros desenhos emoldurados pelo azul claro do céu. E eu pensei no quanto já deitamos na cobertura da minha casa para vê-las, numa das tardes calmas e monótonas. Os desenhos se formavam e se desfaziam à medida que o vento soprava para quaisquer que fossem os lados, criando assim uma verdadeira confusão de formas. Uma confusão como você, querido. Teu mal humor que se debatia com a tua ternura, tua voz grossa que se enfatizava diante das inúmeras palavras doces que da tua boca saiam. Você me era uma certeza tão duvidosa, Bob, quando se dizia respeito ao futuro. Não tenho o que reclamar daquele presente, mas e o futuro? E o hoje que planejamos? Está escondido numa daquelas folhas em branco que fizemos aviõezinhos e jogamos pelo mundo afora, Bob. O que ninguém sabe é que até hoje eu espero que eles voltem para casa e te tragam junto.

Uma carta para Bob Evans

sábado, 9 de março de 2013

Querido Bob,

Vasculhando uma das minhas gavetas, há tempos fechadas, achei uma das nossas poucas fotos tiradas em minha casa. Estávamos no sofá, você sorrindo feito bobo e eu pulando atrás de você para tentar ao menos aparecer, e eu sorri. Sorri porque me lembrei de como aquilo era uma coisa boba e hoje faz uma falta inimaginável, sorri porque eu jamais pensei sentir tanto a sua falta, mas principalmente, sorri porque eu sei que foi real. E foi lindo, Bob. Mesmo com brigas diárias, mesmo com dramas, foi lindo. Você me fez sentir uma felicidade jamais sentida antes enquanto estava aqui, Bob, e uma dor dilacerante quando se foi. Ainda temos um quê de cumplicidade, ainda temos um quê de segredos, ainda temos um quê de amor. E um quê enorme, Bob, que não vai acabar.

 Uma carta para Bob Evans

sexta-feira, 8 de março de 2013

Querida Ana,


Lembra-se de quando eu te perguntei onde iríamos casar? Você respondeu “pra mim tanto faz, basta estar com você” e eu disse que iríamos casar num barco em alto mar, só nós dois. Isso podia até ser romântico na época, não nego. Olha que clichê, estou sentado na beira da praia e ao longe to vendo um barco, sabe, como imaginamos. E eu pensei em você, como seria se você ainda estivesse aqui, Ana? Será que ainda seríamos tão felizes? Como eu sinto sua falta, Anamorada, do seu sorriso doce e do olhar protetor. Até das suas birras e ciúmes que passavam em alguns minutos. Se eu pudesse eu tocaria em meu destino, pra me levar até você de novo, porque era pra ter sido assim. Mas sou o garoto cheio de manias e indagações, na verdade, sou ainda um garoto e você essa mulher, Ana. Essa mulher que fez com que eu me apaixonasse e não soubesse mais me desgarrar do teu calor. E hoje sinto frio, meu amor, vem me esquentar, só você sabe como fazer isso.

Uma carta para Ana Stuart

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Querida Ana,


Deu saudade das suas palavras doces que me faziam ter coragem de enfrentar a vida, deu saudade de todas as esperanças que você fez nascer, de todos os sorrisos dados ao pensar em ti. Você me dá saudade, a verdade é essa, não nós, só você. Eu era um erro clichê que caiu numa das páginas da sua história, mas que logo consegui dar um jeito de sair, mesmo não querendo. Você não merecia um estrago tão grande e seria uma puta sacanagem de pedir pra ser infeliz comigo, não é? Te fazer mal por motivos fúteis, pelos meus ciúmes incontroláveis e dramas exagerados. Mas eu te amei, apesar dos ciúmes, dos dramas e das discussões por minha causa, eu te amei e é por isso que tenho saudade. Você foi a melhor parte de mim.

Uma carta para Ana Stuart