segunda-feira, 11 de março de 2013

Querido Bob,


As nuvens estão numa disposição um pouco enigmática, o que me faz lembrar de ti. Ultimamente muita coisa tem me lembrado você, Bob. Elas estavam um pouco místicas, verdadeiros desenhos emoldurados pelo azul claro do céu. E eu pensei no quanto já deitamos na cobertura da minha casa para vê-las, numa das tardes calmas e monótonas. Os desenhos se formavam e se desfaziam à medida que o vento soprava para quaisquer que fossem os lados, criando assim uma verdadeira confusão de formas. Uma confusão como você, querido. Teu mal humor que se debatia com a tua ternura, tua voz grossa que se enfatizava diante das inúmeras palavras doces que da tua boca saiam. Você me era uma certeza tão duvidosa, Bob, quando se dizia respeito ao futuro. Não tenho o que reclamar daquele presente, mas e o futuro? E o hoje que planejamos? Está escondido numa daquelas folhas em branco que fizemos aviõezinhos e jogamos pelo mundo afora, Bob. O que ninguém sabe é que até hoje eu espero que eles voltem para casa e te tragam junto.

Uma carta para Bob Evans

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