As nuvens estão numa disposição um pouco enigmática, o que
me faz lembrar de ti. Ultimamente muita coisa tem me lembrado você, Bob. Elas
estavam um pouco místicas, verdadeiros desenhos emoldurados pelo azul claro do
céu. E eu pensei no quanto já deitamos na cobertura da minha casa para vê-las,
numa das tardes calmas e monótonas. Os desenhos se formavam e se desfaziam à
medida que o vento soprava para quaisquer que fossem os lados, criando assim
uma verdadeira confusão de formas. Uma confusão como você, querido. Teu mal
humor que se debatia com a tua ternura, tua voz grossa que se enfatizava diante
das inúmeras palavras doces que da tua boca saiam. Você me era uma certeza tão
duvidosa, Bob, quando se dizia respeito ao futuro. Não tenho o que reclamar
daquele presente, mas e o futuro? E o hoje que planejamos? Está escondido numa
daquelas folhas em branco que fizemos aviõezinhos e jogamos pelo mundo afora,
Bob. O que ninguém sabe é que até hoje eu espero que eles voltem para casa e te
tragam junto.
Uma carta para Bob Evans
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