Sinto que tenha que começar esta carta te pedindo desculpas. Espero que ao ver meu nome no envelope, não tenha rasgado-a ou queimado-a, espero mesmo. Eu a amo, embora você tenha duvidado algumas vezes. Admito o quão imaturo fui ao ir embora, mas foi preciso e não me arrependo (em grande parte do tempo), e você me deixou ir, Ana. Não chorou, nem gritou, nem gemeu, só me deixou ir e aquilo me fez te admirar bem mais, querida. Em outros tempos você me pediria pra ficar e seria tão pior a dor que eu desistiria e a possível chance de eu te fazer feliz sumiria. Eu não sou o homem certo, Ana, mas sou seu homem e em nenhum dia eu deixei que isso se tornasse apenas ilusão. Você me tornou um homem e como homem tomei a decisão de partir. Por mais que doesse, por mais que fosse ruim, por mais que eu quisesse voltar correndo e dizer que era nos teus braços que eu queria estar. Uma vez um rei me disse que quem deixa ir, tem pra sempre. E você me deixou ir, Ana, você me deixou ir e não me fez sentir pior por isso, me implorando pra ficar (não por fora). Como pode, Ana, me diz, como pode um sentimento do lado de dentro aprisionar alguem do lado de fora desse jeito? Confesso que só sei ser teu, minha flor. Queria eu ser teu plural, meu amor, queria eu. Mas não pude, não era capaz disso. Você é melhor do que eu e merece alguém assim, por isso parti, te dei chances de ser feliz, Ana. Eu não era capaz de te fazer feliz, e seria egoísmo da minha parte te pedir pra ser infeliz comigo, simplesmente pelo fato de estarmos juntos. Não, Ana, eu te amo demais para isso. Você não merecia alguém como eu, assim como eu não mereço suas lágrimas, meu bem. As palavras adentram meus pulmões e me tomam como se eu estivesse me desintegrando a cada palavra escrita. Um dia, minha flor, terei coragem suficiente para te olhar nos olhos de novo, esses olhos tão belos que me levam para uma outra dimensão, esta que só alcanço com você. Que saudade, Ana Stuart, que saudade.
Uma carta para Ana Stuart
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