terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Querido Bob,

Sentei-me no chão do corredor com uma xícara de café e olhei para meu quarto. Da ultima vez que fizera isso você estava ao meu lado deitado no meu colo. Peguei uma folha em branco e comecei a te escrever, com letras borradas. As horas se passaram e eu me mantinha lá, o café havia esfriado e onde estava você, Bob? Deitado na cama de uma outra na qual você dizia amar? E se fosse isso mesmo, e se você realmente estivesse amando outra? Aquilo me enraiveceu um pouco, mas parei de pensar na hipótese (mesmo sabendo que poderia ser real). Peguei uns cigarros (estes que sempre reclamava por você usar diversos durante o dia) e voltei a escrever, porém nada de concreto saia no papel, apenas rabiscos soltos feitos à beira de um surto psicótico de ausência de testosterona do tal escroto Bob Evans que se foi. Onde você se esconde, me diz onde te encontrar. Pensei por horas em que lugar do planeta você se metera, Ilhas Cayman? Cabo Verde? Esses lugares eram tão sua cara que provavelmente você se refugiou num deles, tão bruscamente verdes, selvagens e com forte tom de liberdade que resplandecia. Quando me dei conta, já havia fumado alguns (sete) cigarros e aquele cheiro invadia-me por alguns instantes e eu me perdia em pensamentos. Bob, querido, seu jeito fraco de ser realmente superou as poucas expectativas que depositei em ti, pelo menos nos últimos anos. Você nem sequer ligou e disse que estava vivo, ou que o antigo Bob havia morrido. E então percebi que talvez sua ausência seria boa, não para mim porque realmente sentia sua falta, mas para ti. E então perguntei-me: O que era mais tóxico pra ti, os cigarros ou eu?

Uma carta para Bob Evans

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