Entendo que não queira mais me escrever, mas sinto falta das
suas palavras alinhadas numa simetria perfeita no papel em branco. Saudade de
sentir um frio na barriga ao ler cada carta sua. Na verdade a nostalgia me faz
lembrar de nós, o vazio me faz lembrar de nós. Porque não existia nada disso
quando eu estava ao seu lado, cada dia era algo novo que nunca me fazia enjoar
da sua voz num timbre perfeito aos meus ouvidos dizendo “amor, volta pra cama”.
Aquilo me deixava tão feliz e eu jurava que não ia deixar acabar só por saber
que você se encaixava perfeitamente nos meus braços e amava estar ali. Ai, ai,
Anamorada, que saudade. Lembra que te chamava assim? E você nunca gostava e me
jogava travesseiros como se fosse me fazer um mal danado. Você nunca quis me
machucar, não é? E fui eu quem acabou te machucando. Sinto muito. Lembrar de
você me faz bem, Ana, ainda me faz feliz.
Uma carta para Ana Stuart
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